segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A comunicação audiovisual: Em busca de uma educação em multimeios
Deixo uma cápsula de informação sobre o papel das plataformas midiáticas na construção do conhecimento, principalmente em relação à reflexão sobre as potencialidades de uso da navegação para a promoção de iniciativas educacionais e sociais.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Um desafio humano contemporâneo

Homem x Natureza x Tecnologia
As três fases da tecnologia
As leituras sobre o papel da tecnologia colaboram com a fundamentação das maneiras de organização da vida em sociedade, a ponto de permitirem antecipar ou não as crises e catástrofas, advindas de fatores pertencentes ao Anthropos (Homem). Ao ouvir a trilha de Blade Runner: O caçador de andróides (1982), com composições do músico grego Vangelis, é possível refletir sobre a questão.
A tecnologia se baseia numa cultura de mudança, em que nem sempre as pessoas estão preparadas para lidar com a proposta de uma nova incorporação no ambiente onde vivem.
No Século 21, os observadores das questões cosmológicas e ecológicas cada vez mais percebem que o comportamento humano enfrenta um dilema, a saber, o da absorção.
É possível pensar na seguinte metáfora. É como ter um grande vaso, cheio, e querer que toda a água acumulada seja secada por apenas uma pequena toalha. A sociedade é a toalha, e o vaso é todo equipamento que processa uma informação digital.
A adaptação ou não do corpo humano à tecnologia é uma questão da filosofia contemporânea.
Até que ponto, o ser humano sofre um “transbordamento” ou um “derrame” de informações, que nem sempre são relevantes? Pode-se citar o “transbordamento”, porque a simbologia da toalha reflete sobre o desequilíbrio.
Como chegar ao meio-termo, a um ponto de equilíbrio? O comportamento humano pode voltar a ter um domínio sobre a tecnologia? Ou o processamento de dados ganhou um status total de controle?
Determinadas escolas do Ensino Fundamental apontam para o uso da tecnologia, enquanto alternativa do processo de ensino e aprendizagem.
Por outro lado, é possível notar que as crianças e os adolescentes estão, de certa forma, condicionados a uma lógica de não-observação da Natureza.
Sem a introspecção, como conviver com o “derrame” tecnológico?
Desta forma, ao invés da observação das Leis da Natureza, o aluno é “domesticado” a querer apenas o que é momentâneo e artificial.
A Natureza tem três linguagens que merecem a atenção. São 1) a folha, 2) a flor e 3) o fruto. A atual sociedade é a folha. As flores representam um segundo estágio. E os frutos um terceiro.
Ao que parece, os três estágios acompanham os ciclos profundos do Cosmos.
E a Natureza colabora com a geração de sentidos para a vida no Planeta.
Sem pessoas que se interessem pela contemplação da Natureza, como ficará a sociedade?
As artes, as filosofias, as agriculturas tradicionais, na leitura atual de grande parte da sociedade, se tornam quase obsoletas, diante do prazer imediato de estabelecer um elo com a tecnologia.
E como resultado, vê-se o surgimento de uma consciência cada vez mais voraz em muitos.
Para tanto, nota-se que a metáfora é pertinente, porque aponta para as fases da consciência diante da tecnologia.
Juliano Sanches é jornalista
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Uma educação de sentidos para o ser


A obra Logoterapia e educação: Fundamentos e prática, da Paulus, 2010, com 183 páginas, é uma indicação indispensável para os educadores da Sociedade do Virtual.
A Sociedade do Virtual carece de sentidos para a existência. Para entender a questão, o trabalho dos autores Thiago Aquino, Bruno Damásio e Joilson Silva pode ser resumido como a apresentação de uma proposta que vai na contramão da desvalorização humana.
A desvalorização humana se torna cada vez mais presente no Século 21. O trio de escritores discute o assunto a partir de uma argumentação sobre a ausência de referências e, ao mesmo tempo, fornece as silhuetas de um projeto humano a ser realizado, ou seja, uma maneira do ser construir um novo patamar para a existência, para além das condições de conflito em que se encontra.
O livro faz uma crítica à presença das drogas no âmbito escolar. A proposta é compreender as dimensões do ser, de modo a possibilitar a autovalorização e a ressignificação para a existência.
Com a leitura, aparece uma frase digna de nota, na página 94. “Enquanto o ser humano tem vergonha de seus desejos e anseios, para ele, é mais cômodo viver sob a influência dos outros”. O trecho é muito ilustrativo para o leitor e para qualquer pensador da época atual. Fica claro que falta autenticidade. As pessoas, infelizmente, em grande maioria, ainda preferem se comportar como galinhas pertencentes a um gigantesco e “confortável” galinheiro, em que onde uma cisca, a maioria, por temer fazer as próprias buscas, se aproxima do local escolhido pela primeira.
Vale a pena ler a publicação. É indicada para quem, de fato, está interessado na dinâmica educador-aluno diante das Novas Tecnologias e tendências sociais. Capacita os educadores para as eras vindouras, que são construídas pelo presente, aqui e agora.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Ronaldo Vaz ensina como aproveitar o dia

Com 111 páginas, a publicação tem leitura de fácil assimilação, além de uma leveza quase coloquial, para leitor não falar mal.
O autor do título é Ronaldo Vaz, nascido em Joaquim da Barra, São Paulo. Psicólogo e observador, Vaz tem um know-how de destaque em interpretação, seja de seres ou de obras consagradas em formato impresso.
O livro é uma indicação muito condizente com a vida dos leitores que pretendem ter uma abertura, uma introdução, para o pensamento dos grandes escritores.
Na obra, há frases do filósofo alemão, Arthur Schopenhauer (1788-1860), do filósofo francês, Voltaire (1694-1778), entre tantos outros. Funcionam como epígrafes para o dia a dia do leitor.
A ideia é: Abra uma página para o momento que vive. As orientações têm a função de direcionar. Apontar caminhos. São luzes, principalmente para quem vivencia dificuldades emocionais.
Vale a pena conferir o trabalho de Ronaldo. Com a leitura, nota-se que as observações dadas aos trechos dos grandes autores são, além de exercício de hermenêutica (interpretação), resultados da dinâmica da escuta, presente no consultório psicológico.
A recomendação que fica implícita é: Agora, que já leu o que as pessoas escreveram – a partir da observação da vida e da natureza –, em diferentes épocas e circunstâncias, comece a materializar a escrita (num sentido amplo) a partir de uma visão peculiar, a sua.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Livro para observador do Universo


James Gardner discute as interligações do Universo
O título O Universo Inteligente: Inteligência artificial, extraterrestres e a mente emergente do cosmos, por si só, para o leitor, já apresenta significados de mistério, com tom de além do conteúdo conhecido pelo homem. Lançado pela Pensamento-Cultrix, em 2009, a obra, escrita pelo ensaísta científico mundialmente reconhecido, James Gardner, faz uma paralelo entre o desconhecido, a vida, o virtual e o conhecimento acumulado pelo homem.
A obra é uma provocação para quem estuda e discute a espiritualidade, a tecnologia e as diferentes interpretações cosmológicas.
O tom de futurismo do escritor é pensar nas readaptações a serem feitas na vida social, de acordo com a demanda de aparecimento de questões não-esperadas pelos conhecimentos ortodoxos, tais como os extraterrestres.
A publicação convida o leitor para pensar num momento vindouro, um marco histórico para as próximas gerações. Trata-se da convivência das religiões com o fenômeno extraterrestre, uma vez disseminado no modus vivendi. Quais as novas interpretações possíveis? Como os líderes religiosos irão lidar com a questão? São interrogações, inseridas de uma maneira original, sensível, profunda. Talentos do autor. É um conhecedor da arte de fazer perguntas.
A mente cósmica, como organizadora da Vida, é uma dos temas abordados.
A intenção é apontar para além dos conhecimentos acadêmicos reducionistas.
É um livro para leitores atualizados. Trata até do Google. Faz afirmações contundentes sobre as implicações do uso da Internet, enquanto fato social.
O autor coloca em evidência as semelhanças entre o social, o biológico e o digital. Insere considerações relevantes para o leitor, a ponto de se pensar em inúmeras possibilidades de convergência cósmica.
Dica de leitura sobre aquecimento global


Rubem Alves revela a busca do homem pelo fogo
Com 23 páginas e ilustrações do artista Luiz Jahnel, A caverna e o forno, da Coleção Estórias para pequenos e grandes, lançado pela editora Paulus, 2009, do escritor brasileiro, Rubem Alves, usa a linguagem do conto para alertar sobre os problemas atuais do aquecimento global.
Quem lê descobre a necessidade de ampliar a importância do diálogo entre o pai, a mãe e o filho sobre as consequências do mal uso do poder.
É uma proposta didática. Permite compreender os desequilíbrios do Meio Ambiente numa visão de corresponsabilidade, coparticipação e coautoria.
O autor trata dos abusos cometidos pela sociedade. Usa inúmeras figuras de linguagem, tais como a vela acesa.
Um dos insights é a comunicação do Sagrado com o homem e, ao mesmo tempo, o desrespeito da sociedade no que se refere à Natureza, ao Todo, à Harmonia.
Tem um tom apocalíptico. Faz o leitor lembrar a hipótese da Terra morrer, ou seja, os seres chegarem ao que se pode chamar de fim da vida, tal como se conhece hoje nas diversidades presentes em Tudo.
O livro convida para uma ação coletiva antidestruição da Terra. O convite é para o agora.
O personagem Prometeu, presente na mitologia grega, serve como referência para a representação da publicação, de modo a criar um enredo baseado no desejo do homem pelo poder social, presente no elemento fogo, conforme o texto.
Vale a pena dedicar a leitura à obra. Tem ilustrações convincentes, a ponto de representarem, de uma maneira singular, os diferentes períodos históricos vividos pelo homem.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A estória do Boneco de Sal
Nem por isso devemos descurar os problemas cotidianos, a construção continuida de nossa identidade e a moldagem de nosso sentido de ser. É uma tarefa nunca terminada. Entre muitas, duas provocações estão sempre presentes e temos que dar conta delas: a aceitação dos próprios limites e a capacidade de desapegar-se.
Todos vivemos dentro de um arranjo existencial que, por sua própria natureza, é limitado em possibilidades e nos impõe barreiras de toda ordem, de lugar, de profissão, de inteligência, de saúde, de economia, de tempo. Há sempre um descompasso entre o desejo e sua realização. E às vezes nos sentimos impotentes face a dados que não podemos mudar como a presença de um esquisofrênico com seus altos e baixos ou um doente terminal. Temos que nos resignar face a esta limitação intransferível. Nem por isso precisamos viver tristes ou impedidos de crescer. Há que ser criativamente resignados. A invés de crescer para fora, podemos crescer para dentro na medida em que criamos um centro onde as coisas se unificam e descobrimos como de tudo podemos aprender. Bem dizia a sabedoria oriental: "se alguém sente profundamente o outro, este o perceberá mesmo que esteja a milhares de quilômetros de distância". Se te modificares em teu centro, nascerá em ti uma fonte de luz que irradiará para os outros.
A outra tarefa da autorealização é a capacidade de desapegar-se. O zenbudismo coloca como teste de maturidade pessoal e liberdade interior a capacidade de desapegar-se e de despedir-se. Se observamos bem, o desapego pertence à lógica da vida: despedimo-nos do ventre materno, em seguida, da meninice,da juventude, da escola, da casa paterna, de parentes e da pessoa amada. Na idade adulta despedimo-nos de trabalhos, de profissões, do vigor do corpo e da lucidez da mente que irrefragavelmente vão se desgastando até despedirmo-nos da própria vida. Nestas despedidas deixamos um pouco de nós mesmos para trás.
Qual é o sentido deste lento despedir-se do mundo? Mera fatalidade irreformável da lei universal da entropia? Essa dimensão é irrecusável. Mas será que ela não guarda um sentido existencial, a ser buscado pelo espírito? Se, fenomenologicamente, somos um projeto infinito e um vazio abissal que clama por plenitude, será que esse desapegar-se não significa criar as condições para que um Maior nos venha preencher? Não seria o Supremo Ser, feito de amor e bondade, que nos vai tirando tudo para que possamos ganhar tudo, no além vida, quando nossa busca finalmente descansará?
Ao perder, ganhamos e ao esvaziarmo-nos ficamos plenos. Dizem por aí que esta foi a trajetória de Jesus, de Buda, de Francisco de Assis, de Gandhi, de Madre Teresa e de outros.
Talvez uma estória dos mestres espirituais antigos nos esclareça o sentido da perda que produz um ganho. "Era uma vez um boneco de sal. Após peregrinar por terras áridas chegou a descobrir o mar que nunca vira antes e por isso não conseguia comprendê-lo. Perguntou o boneco de sal:" Quem és tu? E o mar respondeu:"eu sou o mar". Tornou o boneco de sal: "Mas que é o mar?" E o mar respondeu:" Sou eu". "Não entendo", disse o boneco de sal. "Mas gostaria muito de compreender-te; como faço"? O mar simplesmente respondeu: "toca-me". Então o boneco de sal, timidamente, tocou o mar com a ponta dos dedos do pé. Percebeu que aquilo começou a ser compreensível. Mas logo se deu conta de que haviam desaparecido as pontas dos pés. "Ó mar, veja o que fizeste comigo"? E o mar respondeu:"Tu deste alguma coisa de ti e eu te dei compreensão; tens que te dares todo para me compreender todo". E o boneco de sal começou a entrar lentamente mar adentro, devagar e solene, como quem vai fazer a coisa mais importante de sua vida. E na medida que ia entrando, ia também se diluindo e compreendendo cada vez mais o mar. E o boneco continuava perguntando: "que é o mar". Até que uma onda o cobriu totalmente. Pode ainda dizer, no último momento, antes de diluir-se no mar: "Sou eu".
Desapegou-se de tudo e ganhou tudo: o verdadeiro eu.
Leonardo Boff é autor de Tempo de Transcendência, 2009 (Vozes).